Como escolher um sistema para mercado ou supermercado

Em quase todo comércio, o sistema é avaliado pela retaguarda. Em mercado, ele é avaliado pela fila. Se o caixa trava, a fila cresce, o cliente da esquina compra na esquina de novo e a conta do mês não fecha.

É por isso que escolher um sistema para mercado não é a mesma coisa que escolher um sistema para qualquer loja. Aqui o volume de itens é alto, a margem por item é fina, boa parte do que você vende é pesada na balança ou tem validade curta, e a maior parte do seu esforço de gestão não está na venda: está na compra.

Este guia trata do que muda quando o comércio é um mercado. Se você ainda está avaliando critérios gerais, comece pelo guia de como escolher um software de gestão para o seu comércio e volte aqui depois.

1. O caixa é o gargalo, e ele precisa de três coisas

Num mercado, cada segundo a mais por cliente vira fila no horário de pico. Três pontos definem se o caixa acompanha o movimento.

Ele não pode parar quando a internet cair

Essa é a pergunta que separa sistema de mercado de sistema genérico. Se o PDV depende de conexão para registrar a venda, uma oscilação de dez minutos no sábado à tarde para a loja com o carrinho cheio na esteira.

Peça para ver: como o caixa se comporta sem internet, se ele continua emitindo a NFC-e e como as vendas voltam para a retaguarda quando a conexão retorna.

O pagamento precisa entrar na venda sozinho

Digitar o valor na maquininha e depois digitar de novo no caixa é lento e é onde nasce a diferença de caixa. Pior: a legislação exige que a NFC-e traga os dados da transação em cartão, e sem integração esse dado fica de fora ou entra errado.

Existem dois caminhos, e vale saber qual o fornecedor atende: TEF, a solução tradicional com pinpad, ou integração com a maquininha da adquirente, para quem já tem POS e não quer contratar TEF. Pergunte quais soluções e quais adquirentes são homologadas, não apenas se “tem integração”.

Faça a mesma pergunta sobre o Pix, que em mercado já disputa espaço com o cartão: o QR aparece na tela da venda? E, principalmente, a baixa é automática? Se o operador precisa conferir no celular se o dinheiro caiu e depois confirmar na mão, você trocou a fila do cartão por uma fila pior.

A balança precisa conversar com o caixa

Hortifrúti, açougue, frios e padaria interna passam por peso. São dois pontos diferentes, e os dois precisam existir: a balança de checkout, que pesa na hora da venda, e o arquivo para as balanças de etiqueta, que manda os produtos e preços para as balanças da loja. Se o segundo não existir, alguém vai digitar produto e preço em cada balança toda vez que o preço mudar.

2. A margem é fina, então o erro pequeno custa caro

Em mercado, ninguém quebra por uma decisão ruim. Quebra por furo pequeno repetido: diferença de caixa que ninguém explica, produto vencido na prateleira, item passando pelo preço antigo, desconto dado por conta própria no fim do turno.

Dois controles resolvem a maior parte disso, e você deveria ver os dois funcionando na demonstração:

  • Permissão por operador. Cancelar item, cancelar venda, dar desconto, abrir a gaveta, fazer sangria. Cada uma dessas ações deveria ser liberada ou exigir um supervisor conforme você definir, não conforme o operador decidir.
  • Conferência de caixa por operador e por turno. Se o sistema mostra a diferença separada por quem operou, você trata o problema no mesmo dia. Se ele só mostra o total da loja, você descobre no fim do mês e não sabe onde procurar.

Some a isso o controle de validade. Perda de perecível não aparece no extrato como “perda”: aparece como margem que não veio.

3. Em mercado, a operação principal é a compra

Uma loja de roupas recebe coleção algumas vezes por ano. Um mercado recebe caminhão toda semana, de dezenas de fornecedores, com centenas de itens por nota. Se a entrada de nota for manual, ela consome o seu dia e você nunca vai ter estoque confiável.

O que perguntar, em ordem de importância:

  1. A nota entra pelo XML? Deveria ser o mínimo. Uma nota de duzentos itens vira minutos em vez de uma tarde.
  2. Dá para buscar as notas direto na SEFAZ? Esse é o passo que quase ninguém pergunta e faz muita diferença. Todas as notas emitidas contra o seu CNPJ estão lá, e buscá-las direto significa não depender de o fornecedor mandar o arquivo, nem correr atrás por WhatsApp.
  3. O financeiro vem junto? As parcelas a pagar deveriam nascer da própria nota, sem redigitação.
  4. Dá para desmembrar o produto? O fornecedor manda caixa com 12, você vende unidade. Se o sistema não desmembra na entrada, seu estoque fica em caixas e a venda em unidades, e os dois nunca batem.
  5. A precificação sai na mesma tela? Receber e precificar em momentos separados é o caminho mais curto para vender pelo preço antigo.
  6. Produto novo é cadastrado ali mesmo? Item que chega na nota e ainda não existe deveria ser cadastrado sem sair do lançamento.

4. Mix e giro: o que decide a próxima compra

Comprar bem é o que sustenta a margem, e comprar bem depende de informação simples que muito sistema não entrega de forma acessível: o que girou, o que encalhou, o que faltou, e qual grupo entrega margem de verdade.

Na demonstração, peça exatamente isto: o histórico de venda e de quantidade de um produto, e a comparação entre grupos. Se para chegar lá for preciso abrir um chamado no suporte, considere que essa informação não existe para você.

Vale perguntar também sobre promoção por período e por dia da semana. É um recurso pequeno com efeito grande em mercado: a terça do hortifrúti, a quarta da carne, a promoção que começa e termina sozinha sem alguém lembrar de desativar.

5. O porte muda o que você precisa

Os pontos acima valem para qualquer mercado. O que muda de um porte para outro é o que vem depois.

Minimercado, mercearia e conveniência

Um caixa, poucas pessoas, horário longo. Aqui a prioridade é o caixa não parar e a retaguarda ser enxuta o suficiente para você mesmo cuidar dela no fim do dia. Não contrate estrutura de rede: contrate o que você vai usar sozinho. Veja o sistema para minimercados e conveniências.

Mercado de bairro

Um ou dois caixas, equipe pequena, setores com balança e volume de nota já relevante. É o porte em que entrada de nota e conferência de caixa passam a ser o que mais devolve tempo. Veja o sistema para mercados.

Supermercado

Vários checkouts, setores de produção própria, depósito e às vezes mais de uma loja. Três perguntas entram no páreo:

  • Quantos PDVs, e quanto custa o próximo? Cada checkout é uma licença. Saber o custo antes evita surpresa quando a loja crescer.
  • Dá para transferir mercadoria entre estoques e entre lojas? Depósito e filial são rotina nesse porte, e transferência que não é registrada vira furo de estoque nas duas pontas.
  • O sistema é multiempresa? Se você tem mais de um CNPJ, precisa ver cada loja separada e escolher o que compartilhar entre elas, como cadastro de produtos e preços.

Veja o sistema para supermercados.

6. Dois detalhes que viram marketing quase de graça

Mercado tem uma vantagem que quase nenhum outro comércio tem: fluxo grande de pessoas, todo dia, dentro da loja. E duas telas que ficam paradas boa parte do tempo.

O terminal de consulta de preço existe para o cliente não precisar procurar um funcionário, o que já resolve um atrito. Mas, quando ninguém está usando, ele é uma tela ligada na altura dos olhos: dá para exibir promoção, data comemorativa ou o produto que você precisa girar.

O mesmo vale para o PDV. Caixa fechado ou parado pode mostrar a marca da loja, a promoção da semana ou o tema da data. Não substitui nenhuma campanha, mas é mídia que você já pagou.

Na hora de comparar, pergunte se o terminal e o caixa permitem personalizar a tela e configurar o descanso de tela.

Como o Velo ajuda

A Velo atende mercados dos três portes, e a lógica é a mesma do guia acima: caixa que não para, compra sem digitação e estoque que reflete a loja.

  • No caixa: o PDV desktop continua vendendo sem internet e sincroniza sozinho quando a conexão volta, com NFC-e emitida no próprio caixa. O pagamento em cartão entra na venda por TEF (SiTef, Scope, Destaxa, PayGo, Auttar, Elgin e TEF Dial) ou pela maquininha que você já tem, via Velo SmartPay, com os dados da transação na NFC-e como a legislação pede. O Pix sai no próprio caixa, por Efí, Fiserv, TEF ou maquininha, e a baixa é automática e finaliza a venda sozinha.
  • Na balança: balança de checkout no PDV e geração do arquivo para as balanças de etiqueta, com o cadastro por unidade de medida.
  • Na compra: entrada de nota por leitura do XML, com as parcelas a pagar importadas junto, busca das notas destinadas ao seu CNPJ direto na SEFAZ, cadastro do produto novo dentro do próprio lançamento, desmembramento de caixa em unidades e precificação na mesma tela.
  • No controle: permissões por grupo de acesso definidas por você, conferência de caixa e resumo de vendas por caixa, controle de validade, transferência entre estoques e entre filiais, e gestão multiempresa para quem tem mais de uma loja.
  • Na decisão: estoque mínimo por produto e por estoque, com relatório de produtos abaixo do mínimo e um painel disso no dashboard inicial; históricos de preço, quantidade e venda por produto; promoção por período ou por dia da semana. E a VelIA, a assistente de IA embutida no sistema, para pedir o relatório em linguagem normal em vez de montar filtro — inclusive sugestão de compra, cruzando venda e sazonalidade.

Para mercados, há ainda a integração com a Scanntech, que traz promoções da indústria para o pequeno varejo: a promoção aparece no caixa e as vendas são enviadas automaticamente, sem trabalho seu.

Clube de Fidelidade, Régua de comunicação, Loja Virtual e PDVs adicionais são contratados à parte, então você começa pelo que a loja usa hoje.

Perguntas frequentes

Meu mercado é pequeno. Preciso de PDV ou dá para vender pelo sistema mesmo?
Dá para vender pela retaguarda, mas em mercado o volume de itens por venda é alto e o ganho de um PDV dedicado aparece rápido. A pergunta certa é qual o seu movimento no horário de pico: se existe fila, o PDV se paga.

Como funciona a venda de produtos por peso?
De duas formas, e as duas costumam conviver. A balança de checkout pesa na hora da venda, para hortifrúti passado no caixa. Já a balança de etiqueta, do açougue ou dos frios, imprime a etiqueta com peso e preço, e recebe os produtos por um arquivo gerado pelo sistema.

Preciso trocar de maquininha para integrar o cartão ao caixa?
Não necessariamente. Existe o caminho do TEF tradicional e existe a integração com a maquininha da adquirente que você já usa. Confirme quais adquirentes são homologadas antes de decidir.

Tenho duas lojas. Preciso de dois sistemas?
Não. Procure um sistema multiempresa, em que cada loja tem o seu estoque e o seu financeiro, mas cadastros como produtos e preços podem ser compartilhados. Assim você evita cadastrar duas vezes e ainda consegue transferir mercadoria de uma para a outra com registro.

Como testar um sistema para mercado antes de assinar

Numa demonstração de mercado, três pedidos revelam quase tudo: peça para passar uma venda com produto de balança, peça para lançar uma nota de fornecedor pelo XML e peça para tirar a diferença de caixa de um operador. Se as três forem fluidas, o resto costuma ser.

E não escolha pela lista de recursos: escolha pelo que vai tirar da sua semana. Em mercado, o que toma tempo é conferir caixa, lançar nota e refazer preço, nessa ordem.

Conheça o Velo para mercados ou volte ao guia geral de como escolher um software de gestão para o seu comércio.

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